Programação

  • A Carreira, o Concurso e o Diplomata

    Carreira

    A Carreira

    A diplomacia constitui uma das carreiras de Estado, e seus integrantes fazem parte do Serviço Exterior Brasileiro. O ingresso depende de aprovação em concurso público, promovido, anualmente, pelo Instituto Rio Branco. O candidato deve ser brasileiro nato, estar em dia com o serviço militar e com a justiça eleitoral, ter bons antecedentes e haver concluído curso superior de graduação plena, reconhecido pelo Ministério da Educação.

    Após aprovado no concurso, o candidato é empossado como terceiro secretário e inicia o Curso Profissionalizante no IRBr, com duração de dois anos. No último ano, o diplomata elabora monografia sobre tema de interesse para o Itamaraty e inicia estágio em uma Unidade Administrativa da Secretaria de Estado. O Curso Profissionalizante e o estágio preparam o terceiro secretário para as funções que deverá exercer.

    A promoção de terceiro para segundo secretário é automática conforme a classificação na lista de antiguidade dos diplomatas. Ao alcançar o cargo de segundo secretário, o funcionário deve submeter-se ao Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas (CAD), que constitui requisito para progressão funcional a primeiro secretário. O CAD consta de duas fases: palestras sobre temas de interesse da política externa brasileira; provas dissertativas sobre questões de política, economia, direito público e internacional.

    Ao atingir o cargo de conselheiro, o diplomata deve fazer o Curso de Altos Estudos (CAE), que visa a atualizar e aprofundar os conhecimentos necessários ao desempenho dos cargos de ministros de segunda e de primeira classe. O candidato inscrito no CAE deve elaborar e apresentar tese de interesse para a política externa brasileira, a ser submetida à banca examinadora para arguição.

     Instituto Rio Branco

    O Concurso

    Até 1944, o processo seletivo para recrutamento de diplomatas era realizado pelo Departamento de Administração do Serviço Público (DASP). Em face dos desafios oriundos das transformações que o mundo atravessava,  com vistas a oferecer aos futuros diplomatas curso de capacitação à altura da nova realidade internacional e como parte das comemorações do centenário do nascimento do Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira, foi criado o Instituto Rio Branco, em 18 de abril de 1945.

    Desde então, o IRBr tem-se firmado como academia diplomática de excelência reconhecida internacionalmente, que recruta profissionais de diversas áreas, para compor o quadro de diplomatas do Itamaraty, além de oferecer o Curso de Formação, o Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas, o Curso de Atualização em Política Externa e o Curso de Altos Estudos. Mais de 1.400 diplomatas brasileiros e cerca de 150 estrangeiros já passaram pelos bancos do Instituto.

    Ao longo de sua existência, o IRBr tem ajustado as exigências do concurso às peculiaridades das circunstâncias históricas, sem perder de vista a excelência da formação do diplomata, que mescla solidez acadêmico e pragmatismo profissional.

    Atualmente, o concurso consta de três fases:

    • prova objetiva, de caráter eliminatório e classificatório, sobre questões de Português, História do Brasil, História Mundial, Geografia, Política Internacional, Inglês, Noções de Direito e Noções de Economia;

    • prova escrita de Português, de caráter eliminatório e classificatório, composta por duas questões de interpretação de textos e uma redação dissertativa;

    • provas escritas, de caráter eliminatório e classificatório, sobre História do Brasil, Geografia, Política Internacional, Inglês, Noções de Direito e Noções de Economia e provas objetivas, de caráter exclusivamente classificatório, de Espanhol e Francês. 

    Diplomata

    O Diplomata

    Para alguns, o diplomata é um burocrata bem pago pelo Tesouro, inter alia, para frequentar festas e recepções requintadas, viajar pelo mundo para divulgar o país, a cultura, os produtos e os serviços das empresas brasileiras, assistir a reuniões intermináveis, para discutir a posição de uma vírgula, enfim, ele seria pouco mais que um bon vivant. Para Vernon Walter, militar e diplomata norte-americano: “What’s the difference between the diplomat and the military man. The answer is… they both do nothing, but the military gets up very early in the morning to do it with great discipline, while the diplomat does it late in the afternoon, in utter confusion”. 

    Muitos se indagam sobre o papel que caberia ao diplomata num mundo globalizado, com comunicação instantânea e meios de transporte que reduzem as distâncias a níveis jamais sonhados. Alguns questionam qual das tradicionais funções do diplomata (representar, informar e negociar) faz sentido hoje e argumentam que a representação pode ser exercida por qualquer personalidade designada “ad hoc”. A informação é transmitida, em tempo real, pela internet e por outros meios de comunicação. A negociação sofisticou-se a tal ponto que escapa à compreensão do cidadão comum. Assim, concluem que já não sobra espaço de atuação para o diplomata, que viu esvair-se, nos ventos das transformações tecnológicas, o mundo dourado em que vivia. 

    O questionamento do trabalho do diplomata decorre de uma visão míope e anacrônica. O mundo mudou e, com ele, o perfil do diplomata. Nos dias de hoje, a representação implica o dever de buscar a informação e, por sua vez, requer a capacidade de compreensão e de análise de cada situação. A mídia, em geral, e a internet, em particular, não podem substituir, satisfatoriamente, o olhar crítico do agente diplomático, que tudo observa com as lentes do interesse nacional. A sofisticação do processo negociador nas tratativas bilaterais e nos foros multilaterais não pode dispensar o concurso de um personagem formado nas lides do embate dialético de ideias e que, como o bom enxadrista, consegue perceber, de longe, o alcance de cada jogada. 

    O mundo apresenta inúmeros desafios: segurança internacional, meio ambiente, energia, direitos humanos, fome, terrorismo, genocídios, problemas fronteiriços, para citar alguns. O Brasil tem sido importante ator em quase todos os foros em que se discutem as grandes questões internacionais. Como declarou o embaixador Celso Amorim: “O Brasil não deve ter vergonha de afirmar-se. Para isso, não pode prescindir do diplomata.”